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Revisão bilionária no balanço da Aegea acende alerta sobre transparência no setor de saneamento

Empresa reconhece baixa contábil de R$ 5 bilhões após rever perdas e investimentos. A revisão bilionária no balanço levanta dúvidas sobre transparência e reforça a necessidade de garantias de que custos financeiros não sejam repassados à população

A reapresentação do balanço financeiro da Aegea, uma das maiores empresas privadas de saneamento do país, acendeu um alerta no mercado e reforçou questionamentos sobre a transparência e a consistência das informações no setor.

De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo publicado no último sábado (11/4), a companhia refez seus dados de 2024 e reconheceu uma baixa contábil de R$ 5 bilhões em seu patrimônio líquido, após revisar perdas de crédito e o valor de investimentos.

O patrimônio da empresa foi reduzido de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,3 bilhões após os ajustes. A revisão, ainda conforme a reportagem, não representa saída imediata de caixa, mas uma reavaliação contábil que indica que parte dos ativos anteriormente declarados estava acima do valor real.

A reportagem informa que a reapresentação ocorreu após atrasos na divulgação dos resultados, o que já havia gerado pressão do mercado e contribuído para o rebaixamento da nota de crédito da empresa por agências de rating. A S&P apontou fragilidade nos controles internos da companhia, enquanto a Fitch avaliou que houve piora na qualidade e na transparência das informações financeiras.

Além da revisão patrimonial, os números também indicam aumento do endividamento. De acordo com a reportagem, a dívida líquida da Aegea cresceu 37%, chegando a R$ 47 bilhões, enquanto a alavancagem atingiu 4,51 vezes o Ebitda — patamar elevado que acende sinal de atenção no mercado financeiro.

Ainda segundo a Folha, o lucro líquido da empresa caiu 31% em 2025, mesmo com aumento da receita e dos investimentos, o que reforça o cenário de pressão sobre os resultados financeiros da companhia.

A própria Aegea afirmou, em nota citada pela reportagem, que os ajustes decorrem de um processo de aprimoramento dos critérios contábeis e que não há impacto sobre o caixa, a liquidez ou o cumprimento de compromissos financeiros.

Para o presidente do Sindágua-MS, Lázaro Godoy Neto, o episódio levanta questionamentos que vão além dos números apresentados. “Quando uma empresa precisa rever bilhões em seu balanço, é fundamental entender como esses valores foram lançados. É preciso transparência total sobre onde estão sendo apropriados determinados custos, inclusive aqueles relacionados a práticas já denunciadas e acordos firmados com órgãos de controle”, afirmou.

Ele chama atenção para a forma como esses registros podem impactar o sistema como um todo. “Se valores decorrentes de atos reconhecidos em acordos de leniência ou apontados em investigações são tratados como investimentos ou despesas, isso precisa ser claramente demonstrado. E mais: é necessário saber se, de alguma forma, esses custos acabam sendo repassados para a tarifa e, consequentemente, para a população”.

O dirigente destaca que o tema não é apenas contábil, mas envolve interesse público.

“Estamos falando de um serviço essencial. Qualquer distorção, falta de transparência ou inconsistência nas informações financeiras pode ter reflexos diretos na vida das pessoas e nas condições de trabalho do setor”, completou Lázaro.

A reapresentação do balanço ocorre em um momento estratégico para a empresa, que, segundo a Folha, avalia uma futura abertura de capital (IPO) e acompanha processos de privatização no setor de saneamento, como o da Copasa, em Minas Gerais.

Diante desse cenário, o caso reforça a necessidade de acompanhamento público e institucional sobre a atuação das empresas privadas no setor, especialmente em um contexto de ampliação das parcerias e concessões.

Fonte: Sindágua-MS

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