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Quarta grande onda de nacionalizações: mundo amplia presença do Estado em setores estratégicos

Análise publicada em revista do FMI aponta crescimento da atuação estatal em áreas consideradas essenciais. Para a Federação Nacional dos Urbanitários, o movimento reforça a importância de recuperar empresas estratégicas para atender ao interesse público.

Segundo reportagem publicada pela revista Exame, com base em uma edição especial da Finance & Development, publicação oficial do Fundo Monetário Internacional (FMI), governos de diferentes países vêm ampliando sua participação em empresas e ativos considerados estratégicos para a economia.

O movimento foi classificado pelo historiador econômico Nicholas Mulder, da Universidade Cornell, como uma “quarta grande onda de nacionalizações”. A tendência representa uma mudança na forma como diversos países enfrentam desafios relacionados à segurança econômica, à política industrial e à soberania nacional.

De acordo com a reportagem, o debate internacional deixou de se concentrar apenas no tamanho do Estado e passou a considerar o papel dos governos na proteção de setores essenciais, como energia, infraestrutura, recursos naturais, minerais críticos e cadeias produtivas estratégicas.

Diante das transformações geopolíticas e econômicas dos últimos anos, diversos governos vêm aumentando sua participação em setores estratégicos. Em alguns casos, países também recorreram à nacionalização de empresas e ativos considerados fundamentais para ampliar a capacidade de planejamento, proteger a economia e garantir a segurança nacional.

Brasil segue debatendo novas privatizações

Para a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), o cenário apresentado pela reportagem traz uma reflexão importante para o Brasil.

Enquanto diversos países fortalecem a presença do Estado em áreas estratégicas, o Brasil ainda convive com processos de privatização e concessão em setores essenciais, como energia elétrica, água e saneamento básico.

Na avaliação da Federação, experiências recentes de privatização no país têm sido acompanhadas por aumento de tarifas, críticas relacionadas à qualidade dos serviços, redução de investimentos em determinados casos e precarização das relações de trabalho.

Esses processos também podem reduzir a capacidade do Estado de planejar e executar políticas públicas de longo prazo em áreas fundamentais para a população.

A FNU lembra que privatizações como as da Eletrobras, da Sabesp, da Copel e da Corsan, além dos processos envolvendo companhias estaduais de saneamento, têm ampliado o debate sobre os impactos econômicos e sociais da transferência de serviços públicos para a iniciativa privada.

Reestatizar para fortalecer os serviços públicos

Para a Federação, o movimento observado em diferentes países reforça uma bandeira histórica do movimento sindical: a reestatização de empresas estratégicas quando a gestão privada deixar de atender ao interesse público.

Mais do que discutir apenas a propriedade das empresas, a FNU e os sindicatos defendem que setores como energia elétrica, água e saneamento devem ser orientados pelo interesse coletivo.

Isso significa garantir acesso universal aos serviços, tarifas justas, segurança no abastecimento, planejamento de longo prazo, investimentos e valorização dos trabalhadores e trabalhadoras.

A Federação considera que as empresas públicas exercem papel estratégico no desenvolvimento nacional e na redução das desigualdades regionais, especialmente em atividades essenciais que não podem ser tratadas exclusivamente como oportunidades de negócio.

Para a FNU, a tendência internacional demonstra que cresce o entendimento de que o Estado deve preservar sua capacidade de atuação em áreas estratégicas, assegurando direitos à população e promovendo o desenvolvimento econômico e social.

A reportagem da Exame mostra que o debate sobre nacionalizações voltou ao centro das discussões internacionais. Para a Federação Nacional dos Urbanitários, esse cenário reforça a necessidade de aprofundar o debate sobre o papel das empresas públicas no Brasil.

Também fortalece a defesa da reestatização de serviços essenciais sempre que essa medida se mostrar necessária para garantir o interesse público, a soberania nacional e os direitos da população.

Fonte: Federação Nacional dos Urbanitários (FNU)

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