Se o encontro nada casual entre Trump e Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU selou o cessar fogo entre EUA e Brasil, ou melhor, dos EUA contra o Brasil, a conversa de meia hora entre os dois presidentes, nesta segunda-feira, foi mais do que uma ótima surpresa para o governo brasileiro e a indústria nacional: abriu uma avenida de negociações e acertos bilaterais.
Lula considerou a conversa “excepcional”, mas quem consolidou essa sensação no governo, no Brasil, nos EUA, quiçá mundo afora, foi o próprio Trump, antes tão belicoso, agora simpático com Lula e acenando com uma aproximação para valer: “Nossos países vão se dar muito bem juntos”, divulgou pela internet, após a conversa, que classificou como “ótima”.
Experts em distribuir charme e criar intimidade, Trump e Lula conversaram mais e melhor do que o previsto, com troca de seus telefones privados, brincadeira sobre a idade de ambos e anúncio de um encontro olho no olho, que Lula sugere ser na Malásia, no fim do mês, à parte da reunião da Asean (bloco do Sudeste Asiático), e Trump não descarta ser nos EUA, no Brasil.
O centro da conversa, negociada com discrição, foi o comércio, já que Brasil e EUA perdem com um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros. Lula também pediu o fim da proibição de vistos americanos para autoridades brasileiras, do Executivo e do Judiciário.
Marco Rubio será o líder das negociações e foi recebido como um ponto negativo, já que é um dos mais radicais de um governo. Planalto e Itamaraty minimizam: o importante é que Rubio é o secretário de Estado e é próximo de Trump. Além disso, os três negociadores brasileiros, Alckmin, Mauro Vieira e Haddad, são habilidosos, sabem ouvir e falar na hora certa. Agora vai?
Se Brasil e EUA “vão se dar muito bem juntos”, com a aproximação Lula-Trump, quem é que vai se dar mal? Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e, com eles, o bolsonarismo, que está definhando nas ruas, perdendo força no Congresso e foi desmascarado mundo afora, e agora em Washington: “caça às bruxas”, “censura”, “autoritarismo” e “comércio desleal” com EUA não passavam de fakenews. Trump, enfim, caiu na real.
Fonte: Estado de S. Paulo (Jornalista e comentarista Eliane Cantanhêde)







