O Sindicato dos Urbanitários do Pará participou nesta quinta-feira, 13, da Sessão Especial da Câmara de Vereadores de Belém que discutiu o resultado de uma pesquisa de avaliação da qualidade dos serviços prestados pela holding Aegea Saneamento, grupo a que pertence a empresa Águas do Pará. A sessão foi proposta pela vereadora Marinor Brito (Psol) e reuniu pesquisadores de universidades, representantes de entidades da sociedade civil e do Sindicato dos Urbanitários.
A pesquisa de opinião foi divulgada pelo Instituto Doxa e aferiu também a satisfação da população paraense com os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário depois da privatização, realizada em abril de 2025.

O levantamento foi realizado em maio de 2026, reunindo respostas de consumidores de dez estados onde atuam concessionárias da Aegea Saneamento. A maioria dos que responderam à pesquisa – 81,2% – são moradores do Pará, onde a Águas do Pará começou a operar em 126 municípios em setembro de 2025.
Segundo os resultados da pesquisa, 41,9% dos entrevistados classificam a concessionária como “péssima” e outros 22,2% como “ruim”, somando 64,1% de avaliações negativas. Para 53%, a qualidade da água é “péssima” e 23,9% dizem que falta água nas torneiras diariamente. Para 48,8%, o atendimento da empresa é ruim e 67,5% têm a percepção de que o valor que é pago é injusto em relação ao serviço que é ofertado.
Depois que os principais números da pesquisa foram mostrados pelo Instituto, o presidente do Sindicato dos Urbanitários, Pedro Blois, apresentou resumidamente o histórico do processo de privatização da distribuição de água e serviços de esgoto no estado. Ele ressaltou os prejuízos que a privatização trouxe para a população e para a Cosanpa, que segue com os serviços de captação e tratamento da água.
Pedro destacou ainda que a empresa privada oferece os serviços – considerados ruins pela população – apenas nas áreas urbanas dos municípios onde atua e que a distribuição em áreas rurais, ribeirinhas, quilombolas e indígenas continua sob a responsabilidade da Cosanpa.
“Mas a companhia não recebeu um centavo da privatização. Foram repassados equipamentos e estrutura física da Cosanpa, mas ela não recebeu nada por isso”, disse.
Sem recursos, concluiu o presidente dos Urbanitários, não tem como oferecer o serviço e 3,5 milhões de pessoas ficam desassistidas. Pedro Blois finalizou mostrando que muitos países estão fazendo a reestatização do saneamento porque confirmaram que a privatização piora e encarece o saneamento, prejudicando a população.
A vereadora Marinor Brito destacou a luta que o Sindicato e os trabalhadores da Cosanpa têm realizado para manter a companhia.
“Meu reconhecimento aos trabalhadores e ao Sindicato que seguem na luta para manter a Cosanpa viva”, disse.
A vereadora e sua equipe elaboraram um Projeto de Lei que cria a tarifa social da água e que obriga a empresa a pagar multa ao consumidor quando faltar água ou quando a água chegar imprópria para consumo.




