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Dia Mundial do Meio Ambiente

Resultado de décadas de falta de investimentos, Belém tem um dos piores saneamentos do país

Hoje, 05 de junho, é o Dia Mundial do Meio Ambiente e, infelizmente, Belém, que sediará a COP30 em novembro, tem sido destacada na imprensa nacional como uma das cidades com o pior saneamento básico do país. Nos primeiros dias deste mês ganhou visibilidade nacional uma reportagem sobre o alcance das obras de saneamento que o governo do estado do Pará está realizando para receber a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).
A matéria jornalística evidencia o que o Sindicato dos Urbanitários e demais entidades do movimento social do estado vêm denunciando há muito tempo: não há investimentos dos governos em saneamento básico e quando existem beneficiam as elites locais, comprovando o racismo ambiental.
A imprensa agora dá destaque para o fato de que as obras da COP30 alcançarão apenas 3% da população de Belém quando se fala de captação e tratamento de esgoto, o que evitaria ou reduziria a poluição dos rios e canais da cidade.
A reportagem expõe que o governo Helder Barbalho anuncia que os investimentos no saneamento beneficiarão 500 mil moradores da capital paraense. Mas a gestão estadual não enfatiza em suas propagandas que em relação à coleta e tratamento de esgoto essas obras não alcançarão mais de 40 mil pessoas, as que moram nas áreas mais nobres da cidade. Sem contar que esse investimento é do governo federal.
Para o restante do país, o material jornalístico mostra o que estamos cansados de ver e denunciar: a cidade é marcada por esgotos a céu aberto. A jornalista Alexa Salomão percorreu a cidade atrás das obras em canais e mostrou as diferenças entre os canais da área central – Nova Doca e Tamandaré – e os canais da periferia esquecidos e sem manutenção.
No canal São Joaquim, no bairro da Sacramenta, ela presenciou que “as pessoas vivem sobre seus próprios restos. Vivem, com o perdão do termo, literalmente sobre a merda”, diz a jornalista no vídeo resumo da matéria divulgado nas redes sociais. Em contraponto, os canais da Nova Doca e Tamandaré estão sendo transformados em parques lineares, beneficiando principalmente a população das classes média alta e alta da cidade.
A reportagem mostra ainda que bem próximo da Nova Doca, a comunidade da Vila da Barca tem parcela da população vivendo em palafitas e é para lá que o governo Helder quer direcionar parte do esgoto da Doca.
O Sindicato dos Urbanitários, ao destacar essa reportagem, mais uma vez chama atenção neste Dia Mundial do Meio Ambiente para a reflexão que a sociedade paraense deve fazer sobre a destinação dos R$ 4 bilhões repassados pelo governo federal para investimento na infraestrutura da cidade para a COP30 e o legado que vai ficar para a cidade. Só as áreas onde moram os ricos estão sendo beneficiadas, como sempre.
Há também que se questionar e cobrar investimentos do governo do estado nos demais municípios paraenses, muitos com saneamento básico zero, inclusive, e mais grave, a continuidade do abandono das populações rurais.
Outra questão que não se pode ignorar é o fator midiático das ações do governo Helder Barbalho que mascara as verdades e leva a interpretações falsas. Ao exaltar que as obras de saneamento da COP30 beneficiariam grande parcela da população – o que a reportagem mostrou que não é verdade – Helder Barbalho tira o foco das ações de seu primeiro mandato que aceleraram o sucateamento da Cosanpa para entregá-la à iniciativa privada, que assumirá a prestação dos serviços no início do ano de 2026.
É o governo Helder entregando nosso estado, fazendo privatizações por todo o Pará.

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